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mar/10
Postado por Globo Minas. Assuntos: Sustentabilidade
O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa completa cinco anos em dezembro. Por conta disso, a bolsa decidiu fazer ao longo deste ano uma reavaliação mais profunda do indicador. O objetivo principal do trabalho, que começa em março e termina em novembro, é fazer com que o índice se transforme numa decisão de investimento nas empresas que o compõem.
Sonia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa, disse que serão ouvidos todos os agentes envolvidos. O calendário dos trabalhos se encerra com um evento internacional sobre sustentabilidade e com a publicação de estudo bilíngue sobre os cinco anos do ISE.
O debate contemplará a preocupação de manter o índice atualizado com as temáticas ambientais relevantes, embora a executiva acredite que esse ponto seja atendido pelo próprio processo de revisão anual. “O índice é evolutivo.” A reflexão de aniversário ocorrerá paralelamente a essa revisão.
Desde sua estreia, em 1º de dezembro de 2005, o ISE acumula valorização de 86,8%, ante o ganho de 107,2% do Índice Bovespa. Nos anos fechados, desde sua criação, o indicador superou a principal referência da bolsa paulista apenas em 2006.
Em sua quinta versão, a carteira do ISE é composta por 43 ações de 34 companhias. Elas foram selecionadas entre 51 empresas que responderam o questionário que baseia a seleção, dentre 137 convidadas – as emissoras das 150 ações mais líquidas do mercado, conforme a metodologia. Juntas, as eleitas para a carteira atual representam pouco mais de 30% da capitalização da bolsa, ou R$ 740 bilhões.
Uma questão a ser enfrentada na reavaliação é o fato de as companhias ainda não terem um dos grandes estímulos que a participação num índice pode trazer: acréscimo de liquidez para seus papéis.
Essa questão, somada ao trabalho de resposta do questionário (mais de 200 itens), faz com que o ISE ainda não esteja na lista de prioridade empresarial em muitas companhias, mesmo as do Novo Mercado – só 14 integrantes do ISE são do segmento diferenciado.
A indústria de fundos dedicada à sustentabilidade é pequena no Brasil. São apenas 11 fundos, com patrimônio total de R$ 1,13 bilhão – menos de 10% do total dedicado a ações, que é de R$ 167 bilhões.
O investidor estrangeiro, mais avançado no uso da sustentabilidade como fator de seleção, não segue o ISE. Prefere individualmente questionar as companhias pelas quais se interessa ou utilizar o Dow Jones Sustentability Index (DJSI) como parâmetro, embora o índice brasileiro já tenha metade da idade do americano, de 1999.
O professor Luiz Rossi Júnior, do Insper (ex-Ibmec São Paulo), acredita que o tema ganhará importância numa velocidade rápida. Na avaliação do especialista, quando os agendes fornecedores de crédito usarem esse quesito na concessão de recursos e os consumidores, na escolha de compra, haverá um grande salto. Para Rossi Júnior, essas empresas oferecerem menor risco de passivos com a sociedade.
Outro desafio da Bovespa é enfrentar a realidade de que nem todas as empresas demonstram preocupação a respeito da permanência no ISE. Desde 2005, 15 companhias participaram do indicador em algumas edições, mas não sustentaram a adesão. Por isso, um dos pontos a ser avaliado nessa reflexão são as informações sobre aquelas que não renovam a adesão. Na política atual, a bolsa não torna público o motivo. “Vamos avaliar a possibilidade de ampliar a transparência”, disse Sonia.
O episódio de maior visibilidade gerado por uma saída do indicador foi vivido pela Petrobras, excluída em 2008 por conta de uma polêmica em torno do diesel. O fato gerou, inclusive, a suspensão do Instituto Ethos do conselho deliberativo do ISE na edição passada, por ter dado publicidade às motivações da exclusão da estatal.
Desde então, a Petrobras não retornou ao indicador. Consultada, informou que não respondeu às perguntas desta edição por não concordar integralmente com a metodologia. Avaliará a integração da próxima carteira quando houver o novo questionário.
A ausência das duas principais “blue chips” da bolsa, Petrobras e Vale, dificulta o trabalho de venda de fundos de ISE no varejo. A proposta da carteira tem grande apelo comercial, mas a diferença de rentabilidade frente ao Índice Bovespa – agravada pela saída da estatal de petróleo – acaba desestimulando a aplicação.
Jorge Ricca, gestor de renda variável da BB DTVM, ressalta que a postura de diálogo da BM&FBovespa com os gestores já trouxe melhorias. “O índice era muito concentrado e chegou a ter mais de 50% da carteira formada por bancos.” Em 2009, a bolsa limitou a exposição setorial ao teto de 15%.
Na opinião de Ricca, nos próximos anos haverá um esforço grande das empresas para estar no índice. Do lado dos investidores, reconhece que a preocupação é crescente, mas ressalta que a rentabilidade não pode ser desprezada. “A comparação com o Ibovespa sempre será feita.”
As companhias que tomaram a decisão de aderir ao ISE mais recentemente mostram-se mais preocupadas com a permanência. Carlos Raimar, diretor financeiro e de relações com investidores da Vivo, que estreou na carteira de dezembro, disse que a empresa participou em 2008 para treinar e pesquisar em que poderia avançar. “O ISE foi um instrumento de gestão.”
Além disso, Raimar explicou que antes a Vivo tinha questões internas para serem resolvidas. “Faz parte da sustentabilidade ser rentável e estávamos focados nisso.” Embora admita que ainda não há pressão dos investidores sobre o tema, ele acredita que chegará um momento em que a exigência estará massificada ao ponto de significar a permanência no mercado. Na questão ambiental, uma das ações da operadora são os pontos de coleta de bateria. Em prática desde 2007, o programa recolheu mais de 900 mil unidades.
A Vale, quando questionada sobre sua ausência do indicador, respondeu que está se preparando. Revelou que tem como meta integrar o ISE e o DJSI, mas que só vai se inscrever quando tiver segurança de que a participação será mantida nos anos subsequentes.
Arthur Farme D’Amoed Neto, vice-presidente de relações com investidores da Sul América, afirmou que a participação é importante para mostrar o compromisso com o tema. “Há benefícios tangíveis na adesão, com ganhos de eficiência.” Entre as iniciativas da empresa de seguros está a exigência de que as oficinas mecânicas utilizem tintas a base de água. A adoção significou prazos mais curtos para devolução do carro ao cliente, porque a tinta seca mais rápido, gerando economia nos gastos com carros reservas, alugados para o usuário.
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BM&FBovespa reavalia sustentabilidade. Leia a reportagem completa http://bit.ly/ct84u8
BM&FBovespa vai reavaliar o Índice de Sustentabilidade Empresarial: http://migre.me/mAnF
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